O significado de trabalho

PUBLICADO EM: POR: Michaela

Hoje a noite tive uma experiência tão linda e que trouxe para mim uma reflexão tão importante que decidi contar aqui no blog!

Eu estava em projeção astral com uma amiga, e nós caminhávamos por uma avenida larga, que parecia a Paulista. Os prédios estavam iluminados, com letreiros, e tinha muitas pessoas passeando na rua também. Todos pareciam estar se divertindo muito, a energia era de noite de festa! Eu e minha amiga estávamos comprando ingressos para ir ao teatro, que ficava ali mais à frente na rua. Mas apesar de estar me divertindo muito, tinha um pensamento que ficava martelando, recorrente na minha mente: o de que eu tinha que ir, porque tinha que trabalhar. Aquele senso de responsabilidade em um dado momento bateu bem forte e eu me vi novamente na minha casa, troquei de roupa e assim que terminei já me vi imediatamente em um escritório. Eu trabalhei muitos anos em escritórios de informática. Hoje sou terapeuta em tempo integral, mas por muito tempo também trabalhava nos dois turnos, e atendia meus pacientes à noite.

Uma vez lá no escritório, eu pensei: "bem, agora que estou aqui é melhor eu fazer alguma coisa". Havia trabalho para fazer, e eu comecei a trabalhar. Como era chato! Eu não estava feliz de estar ali, mas aquele senso de responsabilidade batia forte ainda. Fui chamada na sala do chefe, ele queria me pedir para chegar amanhã no trabalho às 6hs da manhã. Foi muito educado, e falava em discurso motivador: "Se você puder, chegue amanhã bem cedo! Assim conseguiremos "dar o gás" que precisamos para bater a nossa meta." Eu disse a ele que chegaria, e saí da sala para voltar ao meu posto de trabalho, porém quando cheguei lá o tédio que tomou conta do meu coração foi mais forte que a responsabilidade do meu Mental e eu me vi de um instante a outro em outro lugar.

Eu estava em um abrigo, estava com pessoas que vestiam roupas claras e simples. Lá fora havia uma fila de pessoas necessitadas aguardando para entrar. O nosso trabalho ali era receber aquelas pessoas e dar sopa para elas. Que alegria me invadiu quando me vi ali, no meio daquelas pessoas, e ajudando a servir a sopa! Era uma energia muito feliz, e muita gratidão por estar ali trabalhando! Em um momento, um dos meus companheiros me chamou e apontou para um senhor de idade com roupas em tons de cinza e rasgadas que chegava à porta, e me disse sorrindo: "Olhe, fique esperta, pois este aí é meio rabugento". Eu respondi: "Deixa comigo! Vou lá recebê-lo". O senhor era muito engraçado, na sua rabugice ele era meigo! Conversei com ele e lhe dei um prato de sopa e ele seguiu para sentar.

Quando vi, estavam todos servidos e não havia mais ninguém na fila. Me virei e havia alguns pratos na pia e pensando "Bem, vou me fazer útil" arregacei as mangas e comecei a lavar a louça. Acordei na minha cama cheia de reflexões.

A primeira foi que eu estava surpresa de ver como que os padrões mentais persistem no nosso Mental: mesmo já fazendo algum tempo que eu havia deixado o emprego convencional, o fato de ter trabalhado por mais de 10 anos em empresas ainda me "prendia" a não me permitir curtir uma noite agradável com uma amiga, pensando que eu deveria ir trabalhar. Fiquei pensando quais outros padrões eu havia absorvido ao longo da minha vida e que ainda me prendiam e eu não sabia.

A outra reflexão foi a surpresa de ver como eu via o trabalho! Apesar de me sentir muito feliz e plena, trabalhando atualmente com o que eu gosto, eu ainda definia o trabalho como uma coisa chata, uma obrigação. É incrível a força que o hábito exerce sobre nós. Eu queria trabalhar (talvez um pouco mais do que eu deveria querer, e agora percebo que preciso fazer alguns ajustes na minha relação entre responsabilidade versus relaxar), mas eu não sabia como manifestar uma forma prazeirosa de trabalhar. Desconfio que os meus mentores tiveram "um dedinho" na minha recolocação profissional, me encaminhando para aquele centro de recepção de desencarnados recentes. Uma vez que eu vi a outra opção (e aprendi que eu tinha uma opção!) eu pude fazer uma escolha consciente de qual forma de trabalho eu preferia para mim.

Assim imagino que seja em todas as áreas da nossa vida. Muitas vezes, vivemos tanto tempo em um padrão específico que não nos damos conta de que podemos escolher algo melhor para nós, não conseguimos enxergar outras opções. Vivemos presos em uma gaiola de vidro aberta, sem saber que, em um certo ponto de nossas vidas, nós podemos mudar e criar asas para voar para fora dela.